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Vários pássaros do nosso Brasil estão na região do Pantanal,  existem milhares de espécies de aves, vou postar alguns nesta primeira parte.  Aliás, quem sabe este post ajude a concientizar as pessoas de como a natureza pode ser muito bela e que deve ser conservada como está.

Tem alguns pássaros conhecidos em todo Brasil e no mundo, como a Arara Azul, a Andorinha, o  Anu, etc…,  que também aparecem em vários estados.

São todos pássaros silvestres, é proibida a criação em cativeiro, só mediante a aprovação do Ibama.

O PANTANAL

Mas antes de relatar alguns pássaros do Pantanal, um pouco de conhecimento sobre a região.

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O Complexo do Pantanal, ou simplesmente Pantanal, é um ecossistema com 250 mil km² de extensão, situado no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul, ambos Estados do Brasil, além de também englobar o norte do Paraguai e leste da Bolívia (que é chamado de chaco boliviano), considerado pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera.

O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e está localizado no centro da América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Sua área é de 138.183 km², com 65% de seu território no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. A região é uma planície pluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai, onde se desenvolve uma fauna e flora de rara beleza e abundância, influenciada por quatro grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica.

O Pantanal é um paraíso para os ornitologistas e para os observadores de pássaros. Ver e fotografar belas aves aquáticas e paludícolas não é difícil nesta região. Desde a maior cegonha do mundo, símbolo do Pantanal, o tuiuiú ou jaburu Jabiru mycteria cuja figura sonolenta, descansando sobre somente uma perna, faz parte integrante da paisagem pantaneira, até as pequenas jaçanãs, que não param de mover-se sobre plantas aquáticas capturando insetos.

OS PÁSSAROS

ARARA AZUL

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Em todo o mundo, essa é a maior ave da família das araras e papagaios. Com a cauda, alcança um metro de comprimento de corpo. Seu vôo é muito majestoso, produzindo uma das mais espetaculares visões no Pantanal. Perseguida pelo comércio de aves vivas, foi, igualmente, afetada pelas alterações de ambiente em grande parte de sua zona original de ocorrência no Brasil. Distribuía-se do extremo oeste de São Paulo ao Piauí, por todo o Brasil Central, até o rio Tapajós, na Amazônia. Fora do Pantanal, poucas populações isoladas ainda subsistem.

Ameaçada de extinção, encontra no Pantanal as melhores condições de sobrevivência, podendo ser detectada em vários pontos da planície. Alimenta-se, quase exclusivamente, dos cocos das palmeiras acuri e bocaiúva. Seu bico é tão poderoso que corta o acuri ao meio, um dos coquinhos mais duros existentes.

Os ninhos são construídos em ocos nas árvores de capão e cordilheira, no meio da planície, ou no interior das matas secas. Uma árvore com grande número de ninhos é o Manduvi ou Amendoim-de-bugre. Usa, entretanto, também a ximbuva e a mulateira.

O casal aumenta o ninho a cada ano, produzindo uma fina serragem de cobertura. Sobre a serragem são postos 2 ou 3 ovos, chocados durante cerca de um mês. O choco começa com o primeiro ovo e há um intervalo de postura de 2 a 3 dias entre os ovos.

Depois de cerca de 3 meses, o filhote começa a voar. Em geral, um filhote consegue sair por ninho, em um bom ano reprodutivo.

Saem dos ninhos com a plumagem semelhante à do adulto. O enorme bico é negro, mesma cor dos pés. Ao redor dos olhos e na base do bico, a característica pele nua e amarela.Os fortes gritos, arrastados, são ouvidos muito antes de vermos as aves. Além de usá-los no vôo, esses gritos também servem de alarme. Curiosas, aproximam-se, voando, de qualquer intruso e circulam alto, gritando muito. Sociáveis, possuem áreas de dormida comunitárias. Para reprodução, o casal afasta-se do bando e estabelece seu ninho em locais tradicionais, de onde as outras araras são afastadas. Nos bandos em vôo, os casais mantêm-se próximos.

BEIJA-FLÔR TESOURA

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Ao contrário de outras espécies de beija-flores, vive, principalmente, na borda da mata, cerradões e cerrados. Acostuma-se com os ambientes urbanos e penetra nas cidades. Muito agressivo, ataca outros beija-flores e cambacicas ou sebinhos visitando as “suas” flores. Ágil, mete-se no meio dos arbustos nessas lutas rápidas; chega a acompanhar a fuga do opositor.

Também ataca aves maiores, inclusive gaviões e tucanos, quando aproximam-se do ninho.

Em julho/agosto visita as flores do cambará, mantendo territórios de alimentação fortemente defendidos. Tanto em vôo quanto pousado, a longa cauda em forma de tesoura (razão do nome comum) destaca-se em sua silhueta (foto). Comumente, cruza o rio Cuiabá ou o São Lourenço, em vôos altos, rápidos, quando a silhueta característica permite identificá-lo.

Nas horas mais quentes do dia, pousa no interior de arbustos ou árvores e pode ficar chilreando longamente. Antes de fazer os vôos de ataque, emite um dois estalos rápidos e sai em perseguição. Se o outro beija-flor pousa, fica rodeando-o até esse retomar o vôo, escoltando-o para fora do território imaginário.

O tom esverdeado da plumagem, como acontece nas cores iridescentes dos beija-flores, aparece unicamente sob condições perfeitas de iluminação. Fora essas situações, geralmente é percebido como de um tom azul marinho ou negro, com um tufo branco na base das pernas.

CABECINHA VERMELHA

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Além de ser uma das aves mais coloridas do Pantanal, também é das mais comuns ao longo dos rios, corixos e baías de toda a planície. Forma grupos de até algumas dezenas em comedouros, como no hotel em Porto Cercado e sobre as mantas de carne salgadas secando ao sol.

Habita os saranzeiros da beira dos rios e, à noite, é possível vê-los dormindo nesses arbustos sobre o rio, alguns cobertos pelos bandos maiores. Durante o período de cheias, acompanham a subida das águas, atingindo locais distantes dos rios. Colonizam casas de fazenda e outras estruturas criadas pela ação humana, permanecendo o ano todo no local, quando há alimentação.

Apanham insetos, outros invertebrados e sementes no chão. Vivem em grupos durante todo o ano, embora haja forte disputas entre eles por espaço ou alimento.

Macho e fêmea são idênticos, com o característico vermelho da cabeça contrastando com o restante das cores e com o bico amarelo alaranjado.

As aves juvenis saem do ninho com as costas e o babador acinzentados. Cabeça parda. Os filhotes estão com os pais nos bandos a partir de dezembro. Nos meses seguintes, começam a mudar e aparecem penas com as cores definitivas. Entre janeiro e julho, os juvenis estão com uma mescla de plumagem, parecendo estar “sujos”.

CARCARÁ

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Uma das aves mais generalistas em seus hábitos alimentares, aproveita, literalmente, todas as fontes disponíveis. Come a polpa externa do coco acuri, insetos apanhados no solo, peixes morrendo em poças secando, lagartos, cobras, minhocas e caranguejos. Saqueia ninhos de outras aves, mesmo os ninhos de tuiuiú. Fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais. Chega a reunir-se a outros carcarás para matar uma presa maior. É também uma ave comedora de carniça, chegando logo a uma carcaça. Afasta os urubus e outros carcarás agressivamente.

Ocorre em todos os ambientes abertos do Pantanal, sobrevoando as matas mais densas e pousando em clareiras.

Busca seu alimento no solo, seja no meio da vegetação, seja em praias de rios. Adaptou-se à presença humana, comendo restos de comida no lixo das casas ou vísceras de peixes nos acampamentos de pescadores. Atrevido, pode roubar comida exposta dos acampamentos.

É inconfundível. A pele nua em volta da narina é, geralmente, vermelha ou carmim. No entanto, a ave pode, em questão de segundos, mudar para amarelo.

Provavelmente, essa mudança ocorre com aumento ou redução da quantidade de sangue circulando na superfície, com essa variação atendendo ao estado emocional do momento. Muito agressivo, mesmo assim concentra-se em grupos para alimentar-se de carniça ou nas áreas em volta das casas.

A ave juvenil diferencia-se pelo peito sem o padrão de listras e o branco do peito e cabeça. Essas áreas são claras, com riscas longitudinais mais escuras, além do corpo ser cinza escuro, quase negro. Em qualquer idade, é notável a área clara na ponta da asa negra. Esse contraste permite sua identificação, mesmo voando a grande altura. Voa com batidas rápidas de asas ou aproveitando as correntes de ar ascendente.

Durante a noite ou nas horas mais quentes do dia, costuma ficar pousado nos galhos mais altos, sob a copa de árvores isoladas ou nas matas ribeirinhas.

Para avisar os outros carcarás de seu território ou comunicação entre o casal, possui uma chamado que origina o seu nome comum, caracará no Pantanal, carcará em outras partes do centro-oeste e nordeste. Nesse chamado, dobra o pescoço e mantém a cabeça sobre as costas, enquanto emite o som. O nome carancho é usado no sul do país, também de origem onomatopéica.

Constrói um ninho com galhos em bainhas de folhas de palmeiras ou usa ninhos de outras aves. Os dois ovos são incubados durante 28 a 32 dias, com o filhote voando no terceiro mês de vida.

CARDEAL

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No Brasil, essa espécie ocorre no Rio Grande do Sul e no Pantanal, acompanhando o vale do rio Paraguai, sem existir nos estados intermediários. A RPPN está nos limites setentrionais do cardeal, apresentando uma população naturalmente rarefeita. Pode ser visto na região entre os rios Cuiabá e o Riozinho, além de alguns pontos esparsos na parte oeste da RPPN, sempre em ambientes abertos.

A principal característica da espécie é o longo penacho vermelho, mantido ereto ou semi ereto sempre. O vermelho estende-se por toda a cabeça e forma um babador que vai estreitando-se até o alto do peito. Branco no restante das partes inferiores, como o largo colar no pescoço e parte posterior da cabeça. Esse colar separa o cinza do restante do corpo. As aves juvenis saem do ninho com as cores apagadas e a cabeça parda (já com penacho), mudando para vermelho ao longo do primeiro ano de vida. Juvenis quase adquirindo a plumagem adulta mesclam penas pardas na cabeça (foto). O galo-de-campina do nordeste brasileiro é idêntico na distribuição de cores, mas não possui o penacho.

Alimenta-se de grãos e invertebrados, sempre apanhados no solo. Geralmente calado, vive solitário ou em casais durante o período reprodutivo (julho a novembro). É o momento em que os machos cantam, em especial no clarear do dia. Canto flautado, com pios altos intermediários.

COLEIRINHO

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Das pequenas aves granívoras desse gênero, o coleirinho é a mais conhecida e origem do nome comum da maioria delas.

O macho, com seu inconfundível colar branco e negro recebeu essa denominação (foto). Além do colar, ao lado da garganta negra um “bigode” branco define a área sob o bico amarelado ou levemente cinza esverdeado.

A fêmea é toda parda, mais escura nas costas. Sob luz excepcional, é possível ver que ela também possui o esboço do desenho da garganta do macho. Os machos juvenis saem do ninho com a plumagem idêntica à fêmea. Fora do período reprodutivo, são muito gregários, formando bandos com outros coleiros de várias espécies e com os tizius. Congregam-se nos capinzais soltando grãos e usam o bico forte para quebrar as sementes. O nome papa-arroz vem do hábito de também usarem plantações de arroz como fonte de alimentação.

Além do arroz, adaptaram-se às várias gramíneas trazidas da África e acompanharam a expansão da pecuária nas áreas anteriormente florestadas. No período reprodutivo, o casal afasta-se do grupo e estabelece seu território. O ninho e todas as demais tarefas correspondem à fêmea, ficando o macho com a atribuição de cantar para afastar outros coleiros da área.

Apesar de viver nas áreas abertas, procura árvores da borda das matas nos horários quentes do dia e nidifica em árvores e arbustos do contato mata/campo aberto.

Ocorre em todos os ambientes abertos, especialmente na região entre o rio Cuiabá e o Riozinho, quando baixam as águas. Nesse período do ano, as gramíneas logo nascem e tratam de formar sementes antes da chegada da próxima cheia, fornecendo alimento para as aves granívoras.

Também usa a parte superior das praias dos rios Cuiabá e São Lourenço na vazante, quando as mesmas gramíneas colonizam as areias expostas pelo menor nível dos rios.

Pode ser visto, com facilidade, nos jardins do hotel de Porto Cercado e na praia em frente. As populações do sul do continente migram para o norte em abril e aparecem no Pantanal em sua passagem. O mesmo ocorre em setembro, quando retornam, ficando alguns dias ao lado das aves pantaneiras.

JURUVA

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Uma das aves mais espetaculares do Pantanal pelo colorido e pelo formato único das penas da cauda. Caça insetos e pequenos vertebrados a partir de um pouso fixo.

O canto é semelhante ao de uma coruja, emitido mais freqüentemente no clarear e escurecer, embora possa ser escutado a qualquer hora do dia e da noite. Começa com um chamado curto, grave, acelerado (entendido como udu ou duro). Quando outra juruva responde, aceleram o canto e aumentam o número de “udus” (a interpretação onomatopaica do canto passa a ser juruva).

Ativa o dia inteiro, impressiona a dificuldade de vê-la nas sombras da vegetação, apesar do colorido intenso do corpo e cabeça, além do tamanho da cauda. O verde brilhante da plumagem é amarelado na barriga e peito. Ao redor dos olhos, vermelhos, grande máscara negra, terminando em duas pontas. Bordejando toda a máscara, azul cobalto intenso, mais claro e extenso na fronte. Alto da cabeça negro. Asas e cauda com ponta azulada. Macho e fêmea são idênticos, com o mesmo bico forte, negro e todo serrilhado. No peito, duas penas negras parecem uma gravata borboleta.

A cauda é longa, com as penas centrais mais compridas do que o corpo e com as demais menores e escalonadas. Na ponta das penas centrais aparecem duas raquetes, onde as franjas laterais da pena foram perdidas e restou somente a ponta. Essa estrutura chama ainda mais a atenção quando a juruva movimenta a cauda lateralmente, em especial quando sente-se observada. Ela origina-se da perda, natural, das estruturas laterais da pena após sua formação. Os índios interpretavam essa forma como sendo resultado do transporte, pela juruva, das brasas mandadas pelos deuses para acender a primeira fogueira dos seres humanos.

O ninho da juruva é um buraco em barranco de rio ou corixo, às vezes com mais de um metro e estreito. Nas matas e cordilheiras sem barranco, aproveita a entrada do buraco de um tatu para iniciar a escavação do seu túnel horizontal logo abaixo do nível do solo. Tendo a ave cerca de 45 centímetros, com sua cauda, fica a questão de como entra e sai sem danificar suas longas penas especiais.

GARCINHA

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Também de plumagem completamente branca, difere das outras garças de mesma cor pelo bico negro e as pernas negras, embora os pés sejam amarelos nas aves adultas. Os juvenis saem dos ninhais com as pernas amarelo esverdeadas e os pés com o mesmo tom. É bem menor que a garça-branca, com quem muitas vezes está associada nos locais de alimentação e em vôo.

Como todas as garças, voa com o pescoço dobrado e pés esticados, fazendo uma silhueta característica de todas as aves da família. Devido ao tamanho, bate a asa com maior freqüência que a garça-branca, facilitando sua identificação quando estão juntas. Ocorre em todos os ambientes aquáticos da reserva.

Ao contrário das outras garças pescadoras, não costuma ficar parada esperando a presa. Possui diversas técnicas de pescaria ativa, sendo uma das mais interessantes quando usa os pés coloridos para atrair os peixes nas margens das praias. Movimenta um dos pés sob as águas, como iscas para os pequenos peixes de que se alimenta.

Também costuma realizar rápidas corridas dentro d’água e paralelas às margens, espantando os peixes e conseguindo apanhá-los em rápido movimentos de bico. Outra técnica utilizada é a de acompanhar capivaras ou cabeças-secas em áreas inundadas, caminhando ao lado e apanhando peixes e insetos espantados pelo movimento dos animais maiores. Onde existe criação de búfalos ou o gado está pastando dentro d’água, também associa-se aos animais para apanhar as presas ocasionalmente espantadas pelos movimentos das reses.

No período reprodutivo, o qual inicia-se antes das outras garças brancas, geralmente no mês de abril na região da reserva, os adultos desenvolvem um grupo de penas especiais (egretes) na região da cabeça e dorso (foto). Na nuca, essas penas são menores do que na garça-branca e ficam sobre as demais, com a ponta revirada para cima, dando à silhueta um aspecto de crista nucal, “despenteada”. Os ninhais podem ou não associar-se a outras espécies, sendo sempre construídos na vegetação mais baixa e dentro das moitas. Os 4 ovos são incubados pelos dois sexos durante 25 dias. Macho e fêmea, como nas outras garças, são idênticos entre si.

GATURAMO

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Maior quase 1/3 do que o vi-vi, com característico bico grosso. Nos machos, o amarelo das partes inferiores atinge a base do bico, ao contrário da espécie anterior. No alto da cabeça, o amarelo quase chega à nuca. As cores das fêmeas são parecidas, diferenciado-se pelo maior tamanho e a falta da pequena área amarelada na testa. Partes inferiores amareladas, com um tom oliváceo no peito.

Essa espécie é muito parecida com o gaturamo ou gurinhatã (Euphonia violacea) de grande parte do centro-oeste, sudeste, sul e da Amazônia oriental. Para diferenciá-las, basicamente o tamanho do bico. A RPPN está exatamente na região de contato entre as duas espécies, sendo que Euphonia laniirostris somente foi encontrado na mata do Bebe, na região sul da reserva.

Habita a parte alta da mata, o que torna difícil sua localização no meio da folhagem. Seus hábitos são semelhantes ao do vi-vi. Em outras áreas, a literatura indica que é uma espécie utilizando ambientes alterados, bordas da mata e áreas abertas, até jardins de casas.

Como estamos nos limites da sua distribuição conhecida, naturalmente pode ter uma baixa densidade populacional.

Os machos, principalmente, são imitadores de outras aves, apesar dos dois sexos cantarem e algumas fêmeas imitarem espécies diferentes.

CHORÓ

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Muito presente nas matas ciliares dos rios, corixos e baías, bem como nos cerradões, cambarazais e matas secas de toda a região. Vive no estrato baixo, caçando invertebrados nos galhos e folhas, geralmente em casais. Pousa no chão ou em galhos caídos. Acostuma-se com a presença humana, usando quintais e pomares de sítios e fazendas onde não é perseguido ou não existam gatos domésticos.

O macho é negro no dorso, em forte contraste com o branco da região ventral. Asas com faixas brancas notáveis e cauda com bolas brancas, também destacadas. Na fêmea, toda a plumagem negra é substituída por marrom avermelhada, sem haver o branco das asas e cauda. Nos dois sexos, destaca-se o vermelho intenso dos olhos da ave adulta (foto). No juvenil, os olhos são marrom escuro, embora a plumagem já seja do sexo correspondente ao sair do ninho. Mantém as penas da cabeça eriçadas quando ativas, em um topete característico.

Apesar do tamanho, por seus hábitos de caça no meio da vegetação, às vezes é difícil de ser vista. Seu canto é marca registrada, interpretado como cada um dos seus nomes comuns. Apesar de ter vários chamados, demarca o território com um canto de notas graves, um pouco afastadas entre si no início e aceleradas do meio para o final. Termina o canto com uma nota diferente, como se estivesse brava. A duração varia até muitos segundos de emissão. Macho e fêmea emitem o canto, respondendo entre si e até a uma imitação razoável do chamado. Aproximam-se para verificar o canto gravado ou imitado.

Constrói um ninho com fibras e raízes, em formato de bolsa pendente de uma forquilha horizontal, característico de todas as aves dessa família. Sua reprodução começa em julho e vai até novembro/dezembro. Macho e fêmea chocam os ovos e cuidam dos filhotes. Chocando, ficam completamente escondidos no interior do ninho, exceto pela cabeça e ponta da cauda.

TANGARÁ CHIFRUDO

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Esse é um dos grupos mais coloridos das matas brasileiras. Várias espécies são da Amazônia ou da Mata Atlântica, mas o soldadinho é uma espécie exclusiva das matas ciliares do centro-oeste brasileiro e das matas da baixada pantaneira, com pequenas áreas na Bolívia e Paraguai.

Como na maioria das espécies da família, o macho é muito chamativo. Corpo todo negro, contrastando com o vermelho vivo do alto da cabeça e costas. Um chumaço de penas mais compridas é mantido alto ou sobre o bico (foto), sendo marcante pelo formato e originando um dos nomes comuns da ave. A fêmea e o macho recém saído do ninho são verde garrafa uniforme, exceto pelo bico, pernas e olhos (foto). As penas da fronte são mais compridas e mantidas eretas, embora menores do que no macho adulto. O macho juvenil leva três anos para adquirir a plumagem característica. Nesse meio tempo, podem ser observados machos com partes da plumagem colorida e o restante esverdeada.

Alimentam-se de pequenos frutos e insetos, capturados desde 1 metro do solo até a parte mais alta das árvores. Ao contrário de outras aves dessa família, o macho acasala-se com pelo menos uma fêmea e mantém-se no território de reprodução ao longo de todo o ciclo. Não possui qualquer envolvimento com o choco e o cuidado da prole, mas está sempre ativo, cantando e afastando outros machos adultos em vôos de perseguição abaixo da copa. Vivem solitários, no máximo em casais no mesmo território, pouco associados.

Canta o ano todo, ocasionalmente durante o período de muda (janeiro a abril/maio). É um canto alegre, assobiado e chamativo, composto por cinco partes separadas. A primeira é uma nota separada das demais, curta e mais lenta. As outras vêm em sequência rápida. Na época reprodutiva, responde a imitações ou gravações de seu canto.

SURUCUÁ

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Uma das aves mais coloridas do Pantanal, vivendo nos diversos ambientes florestados da mesma. Aparece, ocasionalmente, nos capões de cerrado da parte central.

No entanto, é mais comum nas matas ciliares dos rios Cuiabá e São Lourenço, bem como ao longo dos corixos maiores, nos cambarazais e cerradões.

Apesar do colorido espetacular, é mais ouvido do que visto. O canto é uma seqüência de piados curtos e melancólicos, levemente acelerados no final (no Ceará, é chamado de perua-choca devido à semelhança dos cantos).

Canta o ano inteiro, com maior constância entre agosto e dezembro, período da reprodução. Macho e fêmea mantêm contato através do canto e, algumas vezes, podem ser atraídos pela imitação do mesmo. O colorido do macho é mais forte do que o da fêmea, destacando a coloração azul marinho da cabeça e a pálpebra amarelo alaranjado. Na fêmea, essas regiões são cinzentas. A cor da cauda é muito diferente em cada sexo.

Pousa nos galhos horizontais e cipós transversais, sob a copa. Desses pontos de pouso observa o entorno, procurando lagartas nas folhas, cigarras, besouros e aranhas durante muito tempo (daí o nome dorminhoco). Complementam a alimentação com frutinhos pequenos, em especial da embaúba. Nos dois casos, apanham o alimento em vôo direto, ficando sob a presa ou fruto.

Fazem os ninhos nos cupinzeiros arborícolas, cavando um túnel e uma câmara interna. Como no caso das outras aves que usam essa estrutura, o cupinzeiro está ativo e os cupins simplesmente fecham as passagens danificadas pela ave, sem perturbá-la.

Leia também: Pássaros do Pantanal – Segunda Parte

Fonte: Sesc (Guia de pássaros do Pantanal)